Resenha Histórica

Apesar destes valiosos testemunhos, com base em trabalhos de pesquisa de Orlando Ribeiro pode-se afirmar que, em meados da centúria de oitocentos, a paisagem natural da região já havia sido quase totalmente adulterada, se não, atentemos nas suas palavras: “(…) da Cruz Alta do Buçaco as aldeias com o seu terrunho dão a falsa impressão de um povoamento de arroteias florestais; na realidade era o mato que as envolvia e o pinhal foi uma forma moderna de o valorizar. (…) foi o homem que introduziu na paisagem natural uma das alterações mais profundas, substituindo as matas de árvores copadas e folha caduca pelos pinhais de folhas persistentes (…)”. (cf. Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, 1986).
 
Historicamente, é um documento de 976, que nos revela o facto de a vila de “Salce”, juntamente com a sua igreja dedicada a Santo André, ter sido doada, por Fandila, ao poderoso Mosteiro de Lorvão. No mesmo manuscrito eram também citados os aglomerados populacionais de Cácemes e de Palmazes o que demonstra que até hoje, o povoamento da região foi-se mantendo sem grandes alterações.
Sazes (topónimo de origem latina que deriva de “salices”, que significa “salgueiros”) é assim uma aldeia pitoresca, cujas habitações se desvelam por entre campos de cultivo e arvoredos.
 
Através de um documento de 1152, o Bispo de Coimbra, D. João de Arraia, e seu cabido doaram a terça pontifical da igreja de Sazes a D. Pedro Gavino e sua esposa, com a condição de jamais ser doada ou testada a qualquer mosteiro, sob pena de regressar à Sé conimbricense.
 
O direito de apresentação do prior cabia ao bispo de Coimbra. Tendo o Mosteiro de Lorvão reivindicado esse mesmo direito pelo facto de ter sido proprietário dessas terras, levantou-se uma questão judicial entre o prelado e o referido Mosteiro. Contudo, foi em vão, pois o litígio foi resolvido em favor do primeiro.
 
Apesar de Sazes do Lorvão se encontrar em “ Terra Galega”, nome atribuído no passado às terras incultas ou por desbravar, a sua população sempre se dedicou a actividades do sector primário, nomeadamente a agricultura e a pecuária. Não obstante, perante os desafios que a sociedade actual nos coloca constantemente, tem-se assistido ao incremento de actividades dos sectores secundário e terciário.